Pesquisa



Projeto Rede CALA 2015-16
Núcleo MIRADA


PROPOSTA/JUSTIFICATIVA - PROJETO Rede CALA

     O projeto Rede CALA se contextualiza a partir do processo criativo de CALA. Mediado por objetos e proposições direcionadas aos transeuntes de diversas locações da cidade de São Paulo, foram criados procedimentos/ações poéticas relacionadas ao tema Estudos sobre Silêncio, e as materialidades produzidas nessas ações foram trazidas para os laboratórios de criação, sendo absorvidas para a concepção e composição coreodramatúrgica do espetáculo.
     CALA elucida, ainda que tendo se configurado como uma obra de dança “fechada”, a constatação de que há muito a se descobrir. Ao nos debruçarmos cuidadosamente sobre a obra finalizada e retomarmos todo o trajeto percorrido ao longo da pesquisa, o Núcleo se deparou com uma ampla gama de possibilidades de desdobramentos de sentidos, de corporalidades, de universos a serem expandidos e esmiuçados. Existem muitas camadas a serem investigadas. Camadas que se sobrepõem, se mesclam e se reconfiguram, e dentre as inquietações e necessidades emergidas neste ínterim, o Núcleo, no projeto Rede CALA, aponta seus esforços de pesquisa para a investigação das possibilidades de expansão da experiência estética em relação principalmente...

...ao TEMPO - prolongamento, dilatamento, efemeridade e permanência:
“É preciso ampliar os horizontes da temporalidade.(...). Em grego clássico há mais de uma palavra para se referir ao tempo. A mais conhecida entre nós é “chrónos”, que designa a continuidade de um tempo sucessivo. (...). Mesmo que “chrónos” tenha sido a palavra mais bem-sucedida e comum entre nós, não é a única para designar o tempo. Outra é “kairós”, que significa medida, proporção e, em relação com o tempo, momento crítico, temporada, oportunidade. Uma terceira palavra é “aión”, que designa, já em seus usos mais antigos, a intensidade do tempo da vida humana, um destino, uma duração, uma temporalidade não-numerável nem sucessiva, intensiva.”(Walter Kohan)

... e à dualidade IMAGEM E PALAVRA - deslocamento e distanciamento entre imagem e palavra.

“Cada palavra potencialmente é uma imagem, e cada imagem potencialmente é uma palavra. Não é possível imaginar antecedência. Foi primeiro a imagem? Foi primeira a palavra? Não. Elas estão juntas na discordância de tudo, as palavras e as coisas, as palavras e as imagens. E são nesses espaços onde elas não calçam, que nós trabalhamos no mundo da arte. Mas é importante saber que toda a imagem sobrevive na palavra de outro que fala dessa imagem, e, toda palavra sobrevive na imagem que essa palavra potencialmente constrói. Então são legados que se reproduzem no desencontro de palavras e coisas”.(Luiz Pérez-Oramas)



     O Projeto Rede CALA se configura em uma série de ações que fomentam esta pesquisa em dança, e criam uma teia de experiências e proposições que se relacionam com os conteúdos de pesquisa citados acima. Propõe a Circulação de CALA, a realização dos Procedimentos Obra, da Rede de Transduções, dos Workshops, das 24 horas Obra Procedimento e Exibição da Produção Audiovisual.
     A Circulação de CALA propõe apresentações gratuitas do trabalho em diversos equipamentos públicos da cidade de São Paulo, retomando o diálogo entre obra, espectador e espaços públicos.
     Os Procedimentos Obra serão desdobramentos das matrizes de corpo que compõem CALA, em uma relação de prolongamento e mudança de configuração espacial, como objeto de investigação de fisicalidades, da relação entre obra e espectador, e obra e espaço público. As matrizes que serão trabalhadas são batizadas como: Ostrossauro, Ímã, Vaca, Fala Surda e Marcha. Novos diálogos com a rua serão estabelecidos, não mais mediados por objetos e perguntas, mas por proposições e estudos de corpo.
     A Rede de Transduções[1] consiste em uma proposta de instalação em que imagens, palavras e corpos são investigados simultaneamente. Acerca do estudo das materialidades adjacentes à obra CALA: textos, desenhos, fotografias e depoimentos, serão associados a novos procedimentos para a construção de corpos que se encontram em constante investigação, movimento e elaboração.
     Os Workshops viabilizam o encontro e a aproximação entre o Núcleo e público interessado, e neste caso, não se reduzem apenas a um trânsito de informações e conteúdos pertinentes à dança, mas, movimentam um espaço de criação que por sua vez, reverbera em todas as outras ações do projeto.
     24 horas Obra Procedimento retoma um momento importante e disparador do processo de CALA, onde as integrantes vivenciaram 24 horas de convivência em silêncio absoluto. Aqui, buscamos propor algo como fechamento de um ciclo, estabelecendo um ambiente vivo que possa ser acessado, freqüentado, habitado por artistas e público, durante 24 horas, onde todas as materialidades levantadas estarão expostas e no qual as pesquisas em dança serão apresentadas.
     Desta ação será produzido um Material Audiovisual que retrate, sob o ponto de vista de um artista visual convidado, a experiência criada. Tal material será exibido gratuitamente, seguido de “bate papo” na presença dos artistas envolvidos, para os mesmos locais em que realizamos as apresentações de CALA e os Workshops, fechando o ciclo de ações propostas.
     As propostas citadas acima e detalhadas a seguir são coexistentes e não conseqüentes. As elaborações presumem mergulho e aprofundamento no estudo, sem a necessidade de assumir uma organização cronológica rígida, permitindo que o trabalho seja a todo tempo, permeado por diversas percepções e pontos de vista das integrantes do Núcleo.
Todas as ações supracitadas nos indagam sobre as distâncias e as potencialidades imbricadas na relação entre palavra e imagem, permanência e efemeridade. As conexões e universos simbólicos que emergem do deslocamento entre imagem e palavra são o ponto de convergência para a elaboração de novas experiências de diálogo.
    
OBJETIVOS GERAIS

  • Dar continuidade às atividades do Núcleo MIRADA, possibilitando assim a manutenção e aprofundamento da pesquisa de linguagem que o mesmo vem desenvolvendo desde sua criação em 2010.
  • Ampliar o acesso à produção em dança e às atividades relacionadas à mesma;
  • Fomentar a dança enquanto área do conhecimento e linguagem permeável;
  • Propiciar espaços de aprimoramento técnico, troca artística e compartilhamento de processos criativos; 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
  • Circular o espetáculo CALA em 10 espaços públicos da cidade de São Paulo;
  • Promover 10 workshops nos mesmos locais da apresentação;
  • Realizar os Procedimentos Obra em 7 versões com 7 convidados;
  • Realizar  a Rede de Transdução;
  • Criar e realizar a 24 horas Obra Procedimento;
  • Produzir um vídeo de, no mínimo, 30 minutos;
  • Exibir o vídeo em 10 Sessões Cinema com Bate Papo;
  • Realizar aulas para manutenção e aprimoramento técnico/corporal;
 DESCRIÇÃO DETELHADA DAS AÇÕES:

1. Circulação de CALA:
     O trabalho será apresentado gratuitamente em 10 equipamentos públicos da cidade de São Paulo, mantendo seu formato original, que pode ser acessado pelo link: https://vimeo.com/117873967.

2. Workshop:
    Resumo: Oficina de procedimentos de investigação com base no treinamento criativo do espetáculo CALA.
    Público alvo: artistas da dança e do teatro interessados na proposta. Acima de 14 anos.
     Carga Horária: 4 horas.
     Roteiro:
1. Apresentação das integrantes do Núcleo MIRADA e da proposta da oficina.
2. Preparo: exercício conduzido de preparação e organização corporal que trabalham acionamento do centro de força, mobilidades articulares e alongamento muscular.
3. Aquecimento: prática de improvisação individual utilizada pelo Núcleo MIRADA no início de seus ensaios.  Existe uma sequência de padrões de movimento que são explicitadas no inicio da atividade para serem exploradas por um período aproximado de 30 minutos em silêncio. Não há uma interferência das condutoras durante o exercício, já que a proposta é que cada participante percorra as etapas estabelecendo uma relação de "escuta" com o coletivo.
4. Jogos de relação e percepção espacial:
- jogo de lançamento de bolas (de tênis). 
- Ímã
- Espelho
- Relógio
Intervalo
5. Exercício de improvisação em trios a partir de estímulos táteis.
OBS: Cada participante passará pelos 3 papéis: estimulador, receptor, testemunho.
6.  Exercício de improvisação em trios a partir de estímulos verbais.
OBS: Cada participante passará pelos 3 papéis: estimulador, receptor, testemunho.
7. Exercício final de composição à partir de improvisações coletivas, envolvendo todos os participantes, no qual os fundamentos dos exercícios anteriores serão matéria prima do jogo. O Núcleo será mediador nesta proposição criando algumas regras norteadoras. Trabalharemos com a ideia de composição aberta na qual todos os participantes poderão transitar pelas  funções de propositor e plateia.
8. Fechamento: finalização com roda de diálogo sobre esta experiência.
3. Procedimentos Obra:
     Consiste em 5 matrizes corporais pré-selecionadas e 2 em aberto. Tais matrizes tem origem na obra CALA, e cada uma será explorada em lugares públicos a serem definidos. Suas temporalidades serão investigadas de formas distintas das que acontecem durante a apresentação da obra.
     Para cada uma dessas matrizes teremos um artista convidado que realizará uma transdução utilizando um dos dos seguintes objetos: máquina fotográfica analógica, gravador, máquina de escrever e papel para desenho. Serão ao todo 7 artistas.
     Tanto a experiência quanto o material gerado por esses artistas alimentarão o processo de elaboração da Rede de Transdução e da composição dos próximos procedimentos, bem como farão parte das 24 horas Obra Procedimento.
     10 Performers serão convidados para dar corpo aos Procedimentos Obra.
     A seguir, as cinco matrizes selecionadas:

Ostrossauro. Três corpos tornam-se um. Esse “animal”, composto por três pessoas, vai lentamente transitando pelo espaço, assumindo distintas formas. Dissolução da pele, das bordas. Um ser que se reinventa e se integra ao espaço e suas texturas.

Ímã. Os três corpos suspensos, atentos e conectados espacialmente. É um jogo espacial, com regras bem definidas, cujo enfoque está em manter o estado de tensão, a escuta e a relação espacial. Cada ação, sutil ou extravagante, é estímulo e reverberação entre os corpos.

Fala Surda. O corpo entra em um estado de fala e movimento, compulsivo e verborrágico, variando níveis e planos em tempo acelerado. As falas são estimuladas pelos textos originados nas ações de rua e apresentações de CALA.

Vaca. Um corpo pesado, com as mãos semi cerradas e os olhos que simplesmente olham, sem julgamentos ou intenções. Deslocamentos pequenos, como de um pequeno rebanho, vão acontecendo. Movimentos e sons do espaço estimulam a percepção e conduzem a atenção dos corpos.

Marcha. Um trajeto que se repete pelo espaço é realizado com uma marcha grande e brusca que gera um som uníssono e ritmado, produzido pelo impacto da bota com o chão. As mudanças de direção são marcadas pela voz, incisiva, daquela que está temporariamente a frente da marcha. A parada é imediata. Um minuto de silêncio ofegante se instaura, enquanto a memória do som produzido anteriormente vai se dissipando.

4. Rede de Transdução:
     Uma rede de regras para testar as possibilidades de transformação de uma energia (artística) em uma energia (artística) de natureza diferente.
     O experimento consiste em partir das experiências realizadas (apresentações de CALA e seus respectivos materiais gerados; Workshops; Procedimentos Obras e laboratórios em sala) para gerar uma rede de transduções simultâneas, que será organizada e aberta ao público.
     Esta instalação funcionará em rede, de forma tal que todas as ações sejam interligadas, interdependentes e disparadoras umas das outras.
     Temos investigado alguns procedimentos isolados como, por exemplo, enquanto uma pessoa realiza a Fala Surda, a outra, sentada de costas, compõe um texto a partir do que escuta. Este texto, sendo filmado ao vivo, é projetado em outro espaço e estimula o improviso corporal de outra performer.
     A proposta é dar continuidade à essa rede, descobrir possibilidades de conexões e transformações até que a primeira pessoa – a da Fala Surda – receba um novo estímulo que interfira em sua ação, gerando um experimento que se retroalimente.

5. 24 horas Obra Procedimento:
     Propõe a construção de um espaço aberto ao público, no qual as integrantes do Núcleo estarão presentes, em ação. Os materiais coreográficos, as materialidades provenientes de todo o processo, comporão um ambiente em que o estado de relação continua permeável e é construído naquele determinado momento. O local de realização desta ação será escolhido conforme o desenvolvimento do projeto.

6. Exibição de Material Audiovisual e Bate Papo:
     Será produzido um vídeo que retrate, sob o ponto de vista de um artista visual, a experiência criada. Tal material será exibido gratuitamente seguido de “bate papo”, para os mesmos locais em que realizamos as apresentações de CALA e os Workshops, fechando o ciclo de ações propostas. Pensamos o vídeo como linguagem de movimento e encadeamento de acontecimentos, como a materialização do período/ processo, que deixa rastros, e se perpetua por meio de recorte de olhar.
7. Aulas de manutenção e aprimoramento técnico e artístico:
     Serão convidadas 5 profissionais para ministrarem aulas, que serão abertas ao público interessado, com limite de vagas para 10 pessoas.

Referências Bibliográficas

- KOHAN, Walter O. Infância, estrangeiridade e ignorância. Ensaios de filosofia e educação.
Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
- 30 bienal - Luis Pérez-Oramas - Falar Imagens - educativo bienal
http://www.emnomedosartistas.org.br/30bienal/pt/centroMidias/Paginas/video.aspx?video=833





[1] “2 FÍS processo pelo qual uma energia se transforma em outra de natureza diferente.” Neste projeto, este conceito é uma apropriação poética que o Núcleo escolheu para fundamentar o procedimento “Rede de Transduções”.

1o RELATÓRIO DO PROJETO “REDE CALA” CONTEMPLADO COM O PROGRAMA MUNICIPAL DE FOMENTO À DANÇA PARA A CIDADE DE SÃO PAULO

NÚCLEO ARTÍSTICO: Núcleo MIRADA EDIÇÃO: 18a EDIÇÃO
ETAPA(s):PRIMEIRA
PROJETO:Rede CALA
LOCAIS:Ateliê OÇO e Sidney Amaral - Avenida Gustavo Adolfo, 500, Vila Gustavo – Tucuruvi;
Centro de Referência à Dança de São Paulo (CRDSP) - Baixos do Viaduto do Chá, s.n. – Centro;
Galeria Olido - Avenida São João, 473 – República
Escola Municipal de Inciação Artística (EMIA) - Rua Volkswagem, s.n. – Jabaquara.

Introdução
     O Núcleo MIRADA organiza-se de forma não hierárquica buscando o consenso nas decisões e escolhas que envolvem o desenvolvimento de suas pesquisas em dança. Em seus processos artísticos, inquietações que permeiam as artistas dão corpo a um assunto comum, que é trabalhado nos laboratórios de criação, cuja característica central reside na qualidade de presença do encontro. Nestes espaços de compartilhamento, a condição primeira é a abertura para o repertório individual em relação ao assunto disparador e ao que ele reverbera. É neste diálogo que emergem os apontamentos para as propostas de investigação da fisicalidade, dos impulsos de movimento e da dramaturgia.
     A trajetória do Núcleo MIRADA se constrói nos trabalhos: Mirada (2010/11), Epifanias Urbanas (2012), Silêncios Humanos (2012) e CALA (2013/14). CALA, o mais recente trabalho do Núcleo, foi o resultado de um processo de pesquisa, que abarcou diversas experiências vivenciadas até então, e é da necessidade de continuidade desse projeto que nasce Rede CALA
     O Projeto Rede CALA se configura em uma série de ações que fomentam esta pesquisa em dança, e criam uma teia de experiências e proposições que se relacionam com os conteúdos de pesquisa citados acima. Propõe a Circulação de CALA, a realização dos Procedimentos Obra, da Rede de Transduções, dos Workshops, das 24 horas Obra Procedimento e Exibição da Produção Audiovisual.
     A Circulação de CALA propõe apresentações gratuitas do trabalho em diversos equipamentos públicos da cidade de São Paulo, retomando o diálogo entre obra, espectador e espaços públicos.
     Os Procedimentos Obra serão desdobramentos das matrizes de corpo que compõem CALA, em uma relação de prolongamento e mudança de configuração espacial, como objeto de investigação de fisicalidades, da relação entre obra e espectador, e obra e espaço público. As matrizes que serão trabalhadas são batizadas como: Ostrossauro, Ímã, Vaca, Fala Surda e Marcha. Novos diálogos com a rua serão estabelecidos, não mais mediados por objetos e perguntas, mas por proposições e estudos de corpo.
     A Rede de Transduções consiste em uma proposta de instalação em que imagens, palavras e corpos são investigados simultaneamente. Acerca do estudo das materialidades adjacentes à obra CALA: textos, desenhos, fotografias e depoimentos, serão associados a novos procedimentos para a construção de corpos que se encontram em constante investigação, movimento e elaboração.
     Os Workshops viabilizam o encontro e a aproximação entre o Núcleo e público interessado, e neste caso, não se reduzem apenas a um trânsito de informações e conteúdos pertinentes à dança, mas, movimentam um espaço de criação que por sua vez, reverbera em todas as outras ações do projeto.
     24 horas Obra Procedimento retoma um momento importante e disparador do processo de CALA, onde as integrantes vivenciaram 24 horas de convivência em silêncio absoluto. Aqui, buscamos propor algo como fechamento de um ciclo, estabelecendo um ambiente vivo que possa ser acessado, freqüentado, habitado por artistas e público, durante 24 horas, onde todas as materialidades levantadas estarão expostas e no qual as pesquisas em dança serão apresentadas.
     Desta ação será produzido um Material Audiovisual que retrate, sob o ponto de vista de um artista visual convidado, a experiência criada. Tal material será exibido gratuitamente, seguido de “bate papo” na presença dos artistas envolvidos, para os mesmos locais em que realizamos as apresentações de CALA e os Workshops, fechando o ciclo de ações propostas.

ETAPA REALIZADA NO MOMENTO
ETAPA 1 - meses de 01 a 07 (1a Etapa: 29/06/2015 à 28/01/2016)
(Ensaios, Circulação CALA, Workshop, Procedimentos Obra, Aulas Abertas)
  • Adequação orçamentária (caso necessário);
  • Contratação de equipe;
  • Agendamento de pauta para as apresentações do espetáculo CALA e dos Workshops;
  • Treinamento e preparação corporal;
  • Ensaios de repertório - CALA;
  • Contratação de assessoria de imprensa;
  • Divulgação das aulas abertas;
  • Realização das aulas abertas ministradas pelo Núcleo MIRADA e pelos profissionais convidados - Módulos 1 e 2;
  • Preparação de material gráfico;
  • Divulgação da circulação do espetáculo CALA e dos Workshops;
  • Manutenção do blog do Núcleo;
  • Pesquisa e estudo de matrizes coreográficas em sala de ensaio;
  • Realização das 10 apresentações do espetáculo CALA e dos 10 Workshops em equipamentos públicos da cidade de São Paulo;
  • Preparação dos Procedimentos Obra: escolha dos locais de realização, trâmites burocráticos relativos à autorizações de utilização de espaço público, escolha e convite dos profissionais que irão participar dos procedimentos;
  • Realização dos Procedimentos Obra: 1, 2, 3, 4, 5.
  • Pagamentos, acompanhamento financeiro;
  • Preparação de relatório físico-financeiro; 

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NA PRIMEIRA ETAPA


  José Renato e Larissa Verbisck – Produtores. 
Nesta Primeira Etapa do Trabalho realizamos as seguintes atividades: ensaios, circulação do Espetáculo CALA, realização dos workshops, 2 módulos de aulas abertas de profissionais convidados.
  Os ensaios do Núcleo MIRADA totalizaram nessa etapa18 horas semanais, na seguinte rotina de trabalho:
- Segundas-feiras, das 13h às 18h, no Ateliê OÇO e Sidney Amaral
- Quartas e sextas-feiras das 10h as 13h, o Núcleo foi artista-residente no CRD
- Quarta-feira das 14h às 18h na Galeria Olido
- Sextas-feiras das 14h as 17h na EMIA.

   O Ateliê foi um espaço locado para os ensaios e foi para o Núcleo como um retiro de silêncio.
   Localizado no bairro Tucuruvi em uma região residencial e afastada de uma grande agitação urbana, era uma local de concentração e pesquisa. Circular por outros 3 espaços na rotina de ensaio foi também importante, e inclusive, nessa parceria, apresentamos e realizamos os workshops em dois desses locais.
   A circulação do Espetáculo CALA e workshops foi pautada nos equipamentos públicos da cidade de São Paulo e foi realizada nos seguintes espaços:

- Casa de Cultura de Santo Amaro – 1 apresentação e 1 workshop;
- Tendal da Lapa – 1 apresentação e 1 workshop;
- CEU Casa Blanca – 1 apresentação e 1 workshop;
- CEU Heliopolis – 1 apresentação e 1 workshop;
- CEU Alvarenga – 1 apresentação e 1 workshop;
- CEU Pera Marmelo – 1  workshop;
- Núcleo Luz – 1 apresentação e 1 workshop;
- Universidade Anhembi Morumbi – 1 apresentação e 1 workshop;
- CRDSP – 1 apresentação e 1 workshop;
- Galeria Olido – 2 apresentações e 1 workshop.

     Em cada equipamento público buscamos trabalhar em parceria com o Programa Vocacional, artistas-orientadores e artistas-vocacionados, assim como na Universidade atuamos com os estudantes e, no Núcleo Luz com os aprendizes, com o objetivo de atingir o maior número possível de pessoas no espetáculo e no workshop, já que sabemos que em muitos desses locais não há uma demanda espontânea para a participação de atividades culturais.
     Quanto a não realização de uma das atividades no CEU Pera Marmelo, isso aconteceu devido a um cancelamento da data de espetáculo as vésperas da apresentação por conta de um ponto facultativo. A comunicação do equipamento conosco foi falha e por isso acabamos por não remarcar o evento. A decisão do Núcleo MIRADA foi então a realização de 2 apresentações em outro espaço, e o escolhido para tal foi a Galeria Olido.

     As aulas abertas com profissionais convidados aconteceram com as artistas Clarice Lima e Andreia Yonashiro.
     Clarice Lima, trouxe um intensivo de aulas da técnica contemporânea Flying Low para o Núcleo e mais 10 artistas selecionados para participar da oficina. Foram 4 aulas, nos dias 19/08, 21/08 2/09 e 4/09, totalizando 10 horas de atividade que ocorreu no CRDSP.
     Andreia Yonashiro, com sua oficina para o fazer coreográfico, compartilhou propostas práticas e teóricas com integrantes do Núcleo e não-integrantes selecionados, nos 30/11, 2/12, 4/12, 7/12, 9/12, 11/12, no CRDSP e no Ateliê, com a carga horária de 18 horas.

Reflexões das integrantes do Núcleo MIRADA

Liana Zakia

     O Projeto Rede CALA teve entre os meses de julho e janeiro de 2015 suas ações focadas na realização da série de 10 apresentações da obra “Cala”, acompanhadas por 10 oficinas sobre o processo de criação do mesmo, que ocorreu em equipamentos públicos da cidade de São Paulo. Paralelo à isso, o Núcleo manteve sua rotina de trabalho, que englobou preparação e treinamento técnico expressivo, e também os workshops ministrados por convidados e, abertos ao público por meio de inscrições prévias.
     Com o advento da continuidade do estudo de Cala e suas qualidades poéticas e de movimento, tivemos a oportunidade de nos debruçarmos no material já existente, tentando encontrar novos caminhos e resoluções na busca de gerar outras significações, tanto para nós criadoras, quanto para o público.
     Neste sentido, os estudos em sala de ensaio foram muito reveladores, pois promoveram o espaço de pensar sobre nossos modos de operar criativamente, ou seja, de criar. E um dos princípios do nosso trabalho é que trabalhamos em busca de “estados” de presença, ou “estados” de corpo que, aos poucos tomam forma, geram células coreográficas e que depois, são reorganizadas e ressignificadas, por meio de procedimentos criados por nós. Assim, os materiais são compostos, às vezes, utilizando-se da memória de um estado corporal, ou da própria sensação gerada pela forma percorrida.
     Temos o hábito de levantarmos materiais, geralmente em investigações individuais, que se dão simultaneamente, ou em procedimentos em que nos alternamos em papéis de espectador, provocador ou captador de imagens com câmera.
Portanto, sentimos que a todo tempo há construção e criação, ainda que estejamos dedicadas ao estudo de uma trabalho já concluído.
     Tais reflexões sobre os estados de presença e o acesso ao imaginário se dão de modo diferente para cada uma de nós. A sensação atrelada ao movimento, em alguns momentos, gera uma criação de imagem imediata para algumas de nós, e outros momentos, o mergulho é mais profundo na sensação do corpo em movimento. Os olhos fechados, uma prática recorrente nos nossos momentos de improvisação, de alguma maneira colaboram descolamento do espaço concreto no entorno, e auxilia no mergulho das imagens e sensações.
     Existe um exercício que temos feito que é simples e muito efetivo para pensarmos essas questões e pesquisarmos infinitamente: uma de nós realiza pressões com as mãos no corpo da outra, que responde com uma pontualidade naquela força exercida, que pode ser tanto uma resistência à pressão, quanto um fluxo em favor da mesma.
     Isso gera tantas formas inusitadas, que aos poucos, o diálogo entre esses corpos se afina, e quem estimula começa a ouvir atentamente o que e onde o corpo da pessoa quer fazer/ chegar. É um corpo permeável, atento que se encarrega de adentrar um estado de investigação, onde por si só, pode resolver os caminhos coreográficos e criar desenhos cheios de intenção e intuição pelo espaço.
     Este é apenas um exemplo de procedimento, mas denota a importância de que tais modos de trabalho geram questões e um constante aprendizado, para pensarmos sobre composição e nossos meios de reter e organizar as experiências de dança, que nos são caras ao longo dos processos criativos.
     Desse modo, também abrem-se espaços para colocarmos umas às outras nossas vontades futuras. E no meu processo, tive algumas palavras que me atravessaram bastante e deixo aqui registradas: instabilidade, decomposição e desejo.
     Assim como nos ensaios, as apresentações são sempre únicas em suas características, pois se tratam de um acontecimento, onde nós, nos relacionamos com o espaço e público de um lugar específico. Isso fica muito evidente no “Cala”, por ser um trabalho feito todo no silêncio, e por ser um formato em que habitamos o espaço cênico junto com o público. Há o constante desafio do modo como será organizado e como se dá no encontro com o público.
     Isso também ocorreu nas oficinas. Pensamos bastante sobre essa nossa propostas de estarmos nos 10 lugares em momentos de diálogos diferentes: com espetáculo e com aula.
     Nos questionamos sobre as parcerias junto aos equipamentos, e se de fato, esse tipo de “estada” tão breve (duração de um workshop de 3 a 4 horas), movimenta ou modifica o local de alguma maneira. O modo como fomos recebidos pelos equipamentos muitas vezes foi muito desestimulante.
     Inclusive tivemos experiência de total descaso com o trabalho oferecido.
     É claro, que , percebemos que quando a parceria de fato acontece, se constroem pontes, redes e se instauram processos de formação de público, de ampliação de espaços de experiência e construção de saberes por meio da arte. Mas, ainda sinto que estamos nas mãos de gestões localizadas que pouco se interessam pelas propostas apresentadas, e que raramente presenciam esses eventos.
     Como artistas da dança, atuantes também em ambientes educacionais, sentimos que precisamos repensar as propostas que vinculamos às nossas produções artísticas, muitas vezes como “contrapartida”, para que sejam efetivas e não cumprimentos de etapas de processo.
     Importante ressaltar que algumas das parcerias efetuadas com os Artistas Orientadores do Programa Vocacional foram bem eficientes, alavancaram trocas e fortaleceram a rede que buscamos pela riqueza dos encontros.
     Outra característica desta etapa foi que trabalhamos em 4 espaços de ensaio distintos: CRD, Galeria Olido, Ateliê e EMIA. Esse trânsito foi bem potente, promoveu um constante redimensionamento do lugar onde se dá o trabalho de corpo e acredito que ampliamos nossas perspectivas artísticas quando circulamos por ambientes distintos e seus entornos.
     Também foi de grande valia o encontro com os profissionais convidados a dar os workshops, onde nós do Núcleo MIRADA podíamos conviver com outras pessoas, também no papel de estudantes. Fazer aula, trocar ideias, observar e vivenciar a descoberta de novos caminhos, se propôr a aprender um jeito novo, amplia nossas bagagens e mais importante que isso, nos alegra

Elenita Queiroz   

     A primeira etapa do Projeto REDE CALA foi cumprida com dedicação, suor, coragem e sabor.
     Dedicação porque nós do Núcleo MIRADA, mergulhamos com toda nossa energia nesse processo (assim como sempre o fizemos desde nossas primeiras criações coletivas em 2010) com um sabor de conquista, de reconhecimento e de responsabilidade mais aguçados dada a complexidade e duração do projeto em questão. Quanto ao desenvolvimento das ações propostas, dedicamo-nos com afinco primando pelo respeito ao nosso modo de organização interno, ao nosso modo de estar e olhar para a dança e à nossa trajetória.
     Foram realizadas as 10 apresentações (circulação da Obra CALA), conjuntamente aos workshops e ainda 2 módulos de aulas abertas com os profissionais Clarisse Lima e Andreia Yonashiro. Esse conjunto de ações me remete imediatamente ao suor. Suamos e suamos muito nesse ínterim. Dançando, jogando, criando, experimentando... nos ensaios, nas aulas abertas, nos workshops... mas suamos também e muito na tentativa de trabalhar em conjunto o tempo todo buscando manter uma equipe coesa e colaborativa no que se refere às diferentes funções (criadores/bailarinos, produção, arte gráfica, divulgação, registros em vídeo e foto, etc). Suamos corpo e alma ansiando por encontrar outros corpos com interesse no compartilhamento e na troca. Suamos juntos.
     Essa primeira etapa nos exigiu igualmente bastante coragem: para rever ideias e conceitos previamente elaborados; para reverter situações complicadas como cancelamentos de espaços pré agendados para as
ações; para lidar com descaso de alguns equipamentos públicos no que se refere à assuntos como a parceria na divulgação (dos espetáculos e das oficinas), e falta de trato na recepção da equipe (técnicos e bailarinos); para encarar nossos receios e nossas diferentes expectativas com relação ao trabalho; para compartilhar com públicos diversos, escassos, sedentos, calados, vivazes, plateias cheias, plateias debutantes... *
(* Faço aqui um adendo com relação à importante parceria realizada com Artistas Orientadores e Vocacionados do Programa Vocacional da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Ficou bastante evidente a importância destes agentes para as ações do projeto Rede CALA principalmente as realizadas nos CEUs, e Casas de Cultura tivessem uma adesão e uma participação maior de público. Estas pessoas nos foram as maiores parceiras divulgando, estando presentes nos workshops e apresentações, partilhando conosco essa experiência.)
     Para lidar com o cansaço; para superar as pequenas e múltiplas frustrações cotidianas que um projeto artístico com estas características pode trazer uma vez tendo como lugar de ação uma cidade com a magnitude de São Paulo e suas muitas e múltiplas facetas; para lidar com os fins e os recomeços. Coragem.
     E mais do que tudo, esse breve/longo caminho trilhado na primeira etapa do projeto REDE CALA teve sabor pois de tudo que fizemos, construímos, demolimos e partilhamos saboreamos o cotidiano uns dos outros e suas belezas e dores e fragilidades e duvidas e amores e suores.
     Saboreamos, junto à plateia de olhares generosos, o macio do queijo e o regozijo da cachaça, o gosto de ir além do dito, o degustar de nós mesmos, nossas histórias, trajetos e maravilhas, o deglutir de medos e insatisfações, o engolir seco e amargo de um silêncio que ecoa e move.
     Rede CALA me veio com muito suor e fica em mim com o sabor de querer mais, me nutrindo com a coragem para o salto e exigindo de mim ainda mais dedicação para seguir rumo ao desconhecido.

Karime Nivoloni  

     Dos preparos
     Iniciamos o projeto com três metas: a retomada do espetáculo Cala, o preparo das oficinas que seriam ministradas ao longo da temporada das 10 apresentações e a organização do primeiro workshop a ser realizado por um artista convidado. O espetáculo e suas matrizes de movimento, suas qualidades de corpo. A oficina, o compartilhamento de procedimentos que fizeram parte da elaboração coreográfica. O workshop, um preparo do corpo para as necessidades do grupo. Três objetivos que se retro-alimentaram. Retomar o trabalho, acessar memórias do projeto, selecionar e organizar procedimentos que realizamos, pensar em estratégias para compartilhar o processo com públicos distintos, testar, trazer elementos do workshop ministrados pela artista convidada Clarice Lima que contaminaram nossos corpos/pensamentos, deixar que o reencontro com esses procedimentos modificassem o espetáculo, que se atualiza a cada apresentação, novas soluções, outros sentidos emergem e passam a criar outros significado. Uma sensação de encontrar outras camadas de algo que acontece, frestas que revelam novas leituras (ou ainda não percebidas?), outros sentidos que se estabelecem, mesmo que provisoriamente.
     Dos pontos específicos
     Para minha experiência alguns aspectos que emergiram e se fizeram relevantes:
1. Retomar Cala: hoje o corpo é outro, o trabalho está vivo. Algumas soluções cênicas e
transições não faziam mais sentido. Sensação de não estar resolvido. Necessidade de experimentar e testar outras possibilidades, que, de alguma forma, também modificaram o próprio sentido do trabalho. Repensar as relações que se estabelece com o público. Importa notar que muitos dos insights vieram durante as oficinas, observando as pessoas vivenciando os procedimentos que propusemos.
2. O workshop da Clarice. Além de preparar o corpo para movimentos de intensidade, apontando soluções velozes para transferências de peso e mudança de níveis espaciais, nos trouxe referências e amplificou alguns dos procedimentos que já vínhamos experimentando, em especial os exercícios de deslocamento em velocidade (Passing Through) e as regras que vão criando dinâmicas e situações variadas ao longo do experimento. Incorporamos essas informações em nossa prática e também nas oficinas que compartilhamos ao longo da temporada.
3. As oficinas. Organizar coletivamente o que seria relevante compartilhar com o público interessado nos conduziu a uma reflexão sobre o nosso próprio fazer e nas estratégias para, em um período de 3 ou 4 horas, criar uma situação na qual fosse possível criar um espaço de trocas criativas, um ambiente de preparo e escuta corporal, de corpos disponíveis a criação dentro da perspectiva do Núcleo Mirada. Nesta etapa, nos debruçamos cuidadosamente no preparo deste material – talvez por todas também atuarmos (ou termos atuado) como artistas educadoras em programas públicos e julgarmos esse encontro tão importante quanto o da apresentação da obra. E mantivemos uma escuta para manter a oficina viva. Olhar para as pessoas envolvidas, presentes, como acolhê-las, como criar um ambiente no qual elas pudessem se lançar às experiências que queríamos propôr. E também mantivemos vivo esse fazer, testando soluções e encontrando caminhos mais eficientes e amadurecidos, que inclusive modificaram algumas das composições do trabalho Cala. A Larissa, que esteve presente também como assistente artística, cumpriu um papel importante neste preparo, contribuindo com seu olhar e fazer, tanto no preparo e escolha dos procedimentos quanto nas reflexões das experiências de cada oficina.
     Essa experiência gerou uma qualidade de envolvimento e conexão entre nós – artistas, criadoras, bailarinas – que trouxe um amadurecimento para o trabalho e para a pesquisa artística do núcleo, apontando os caminhos e procedimentos de criação que seguiremos na segunda etapa.    A finalização desta primeira etapa com o “Workshop para o fazer coreográfico”, ministrado pela artista convidada Andreia Yonashiro serviu como um ponto de transição, uma brecha para a reflexão do que está por vir. Campos abertos de pensamento, mudanças de olhares e focos para a retomada das matrizes. Importante para abraçarmos o material com uma perspectiva mais ampla do contexto da dança – do que é, do que pode ser, de seu processo histórico. O que estamos realizando e para quê? Como estamos fazendo isso? Quais materialidades manipularemos com as próximas propostas? Fechamos o semestre instigadas.
     Das realizações
     Como consta no projeto, realizamos nesta primeira etapa 10 apresentações,10 oficinas em distintos espaços da Cidade de São Paulo e dois workshops com artistas convidados (Clarice Lima e Andreia Yonashiro). Nesta temporada encontramos condições muito peculiares de cada lugar temporariamente habitado pelo trabalho e pelas propostas com os grupos de pessoas que participaram das oficinas.
     Dentre tantos aspectos, faço questão de ressaltar a importância da organização da gestão de cada equipamento público no acolhimento das propostas para a qualidade do encontro (artistas/público). Esse ponto é essencial pois essas parcerias (artistas-produção-gestores-público) determinam a potência dos eventos, tanto da apresentação quanto das oficinas que foram ministradas. Ficou evidente, para o mim, que nos espaços que tivemos gestores comprometidos, o público foi maior bem como as estruturas físicas apresentavam melhor condição para receber o projeto.
     Ainda no campo das parcerias, sublinho a importância do contato com os Artistas Orientadores (AO) do programa Vocacional. É notável a importância do papel que esse profissional cumpre, ou pode cumprir, na organização de grupos interessados, no desenvolvimento e/ou aprofundamento no campo da dança contemporânea. E, no caso do projeto Rede Cala, que se propõe em distintos lugares da cidade, nos quais muitas vezes não transitamos, ou nos quais as formas de contato com público são dificultadas pelo acesso à informação, o AO atua também como um catalisador, um ponto de contato essencial para a conexão de uma rede de pessoas que podem se interessar pela proposta artística do núcleo.
     Em relação às apresentações, os encontros propiciaram compartilhamento intenso de experiências, frutíferos. Públicos distintos, pessoas que atravessaram nossos corpos e olhares. Habitaram nossos ambientes, trouxeram seus corpos para as estações. Textos, olhares, vozes. Presenças cênicas que pudemos assistir enquanto dançamos/dançávamos. Que disparam lembranças e passam a compor o campo e o corpo cênico, escarafunchando o artista/pessoa. Registros na memória. Um diálogo silencioso, às vezes estranho, às vezes acalentador, afeto, tocado, às lágrimas, às vezes superficial, revelador, silêncio frio, inquisidor. Às vezes criando um estado de simples existência, de saber estar, de bicho. Experiências intensas. Às vezes menos. Às vezes reverberando até agora. Muitas qualidades de atravessamentos.

(janeiro de 2016)


O projeto PLATAFORMA CALA apontou uma nova perspectiva de pesquisa ao Núcleo Mirada. Trata-se de um viés para além da própria dança, visto  o interesse no processo de aproximação a outros modos contemporâneos para a estruturação coreográfica. Cabe destacar entre esses modos: A presença de um instrumental virtual, o fator presencial na cidade ,por meio da  instauração de lugares criativos,bem como a adoção da residência artística,enquanto lugar para a convivência criativa concentrada.  

O Projeto Cala foi realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo,Secretaria da Cultura,Programa de Ação Cultural 08/2013 - CONCURSO DE APOIO A PROJETOS DE PRODUÇÃO DE ESPETÁCULO INÉDITO E TEMPORADA DE DANÇA NO ESTADO DE SÃO PAULO

Criação: Núcleo MIRADA - Elenita Queiroz, Karime Nivoloni, Liana Zakia






MIRADA foi uma obra de experimentações coreográficas sugeridas pelas relações entre as artistas envolvidas e o contexto geral da Casa das Caldeiras (espaço de pesquisa onde o espetáculo foi criado). A partir desse espaço multifuncional, onde distintas ambientações são criadas e desconstruídas num piscar de olhos, o trabalho se constrói na transposição dessa lógica de acontecimentos para o pensamento cênico – a possibilidade de elaborar e romper momentos, gerando inesperadas perspectivas. Nesse percurso, as criadoras se debruçaram sobre questões próprias e também compartilhadas, buscando através da leveza, da ludicidade e do universo kitsch, o exercício de levantar questionamentos e insinuar outros olhares.

Através da ironia e da utilização de elementos da cultura pop, Mirada tem a capacidade de estabelecer links de diálogo e aproximação com o público. Esse trabalho, que traz em seu cerne criativo, a interlinguagem, a diversidade e a colaboração, tem apresentado o potencial de expandir a comunicação e as possibilidades de significações simbólicas junto à platéia.
De forma não convencional e irônica, Mirada convida à diversão, à quebra de estruturas e à reflexão.


FICHA TÉCNICA
Criação coletiva: Núcleo Mirada
Integrantes:
Elenita Queiróz
Carina Nagib
Karime Nivoloni
Liana Zakia
Artistas convidados: Marcius Lindner e Cíntia Harumi
Produção e fotos: Tetembua Dandara
Figurinos e cenografia: O grupo
Duração: 60 minutos
Faixa etária recomendada: livre
Tema e conteúdo: universo feminino, cultura pop, universo kitsch.Gênero e modalidade: dança contemporânea, teatro e circo, linguagem lúdica. 



EPIFANIAS URBANAS Projeto colaborativo do Núcleo Mirada em parceria com a Cia das Atrizes. Contemplado pelo programa Funarte Petrobras Klauss Vianna de Dança 2011 e desenvolvido ao longo de 2012, o projeto se configura enquanto uma rede de ações poéticas na cidade de São Paulo, Brasil.
 














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